segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Primeiro Dia de Aula

Hoje foi o primeiro dia de aula dos meus três filhos. Após duas semanas de férias e dormindo até a hora que queriam, hoje precisaram acordar às 6h30 da manhã. Acabei me surpreendendo com a agilidade dos três. Em menos de uma hora estavam prontos para sair para a escola.

Levar três crianças (duas de 7 e uma de 9) para a escola no período da manhã em pleno inverno gaúcho é de dar dó. Neles e em mim.

Ontem a noite já deixei tudo preparado. Fiz todo o lanche para o recreio. Fiz todos os sanduíches para o café da manhã de hoje. Deixei tudo pronto encima da mesa e coberto. As mochilas ficaram arrumadas e perto da porta de saída. Os tênis e os casacos também.

Levanto às 6h30. Saio pulando da cama e ligo todos os aparelhos de ar-condicionado da casa (no quente). Vou até a cozinha num pé só e coloco a água para esquentar para o meu café. Nesse meio tempo lavo o rosto e visto minha roupa. Então vou passando pelas camas e dando beijinhos de bom-dia. Aí os quartos já estão mais quentinhos. Eles dormem semiarrumados (tudo que der pra vestir na noite anterior e que for do uniforme eu coloco neles). Daí é meio confuso: uns vão fazer xixi, outros vão vestindo o que falta de roupa aos poucos. Depois, vão sentando à mesa para o leite e o pãozinho já disponíveis. Enquanto isso, olham as notícias da manhã na TV. Terminado tudo isso, lanches nas mochilas, dentes escovados, chega a hora de pentear as gurias. Então o Miguel tem que ficar sentadinho esperando a hora de sair. Penteá-las é algo que demora bastante. Cabelos crespos requerem destreza (apesar d'eu ser canhota). É preciso usar um borrifador d'agua para umedecer os cachos embaraçados durante o sono. Fazer o penteado em ambas as cabeleiras (cabelos lindos, fartos, e que precisam de bastante cuidado e tratamento) demora um pouco. Passada essa parte, é vestir os casacos, as mantas, os calçados, pegar as mochilas e sair porta à fora no friozão! Gente tudo isso leva uma hora ou menos. Às 7h30 estou largando todo mundo no colégio. E é largar mesmo: sai todo mundo do carro e entram no portão abanando!

Ufa! Voltei pra tomar meu café e comer o MEU pãozinho...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A hora do Tema é o meu Tema

A hora do tema é o meu TEMA. Tradução: tema é dever de casa. Decidiram, depois de muita discussão na área da educação (uma discussão que levou uns bons vinte anos), que as crianças modernas precisam levar tarefas da escola para fazer em casa.
Na minha infância não era assim, ou pelo menos as tarefas eram muito poucas e rápidas.  Foi um período sem neuroses. Deve ser por isso que muitos de nós são neuróticos hoje em dia. Pois, em razão da diminuição ou exclusão dos deveres nós, quando crianças, íamos brincar. Brincar na rua. Daquelas brincadeiras de bairro a céu aberto, com as árvores e os passarinhos e até a lua víamos vez que outra!!! Olha que maravilha o caminho para as loucuras modernas!
Claro, estavam nos preparando. A hora do tema deles - crianças - é a hora do meu tema. Com três crianças, acontece uma coisa bem interessante (olha como sou moderna): ouve-se a palavra "mãe" ou "pai" a cada 30 segundos. Cada um faz no mínimo 20 perguntas a cada dia, o que, multiplicado por 3, totalizam 60 respostas! Não sei quem disse que eles fazem as tarefas sozinhos. Não entendi essa parte. Aqui, tem que ficar em cima ou em baixo. Bem na neurose mesmo. Haja paciência e disponibilidade. Na prática, é melhor separá-los em cantos estratégicos. Daí começam as chamadas: MÃÃÃÃEEEEEEE! PAAAAAAIIIIII!
Cadê a lua que acho que perdi. Onde foi parar meu skate. Minha prancha de surf ficou lá em Santa Catarina. Por isso fiquei neurótica? Faça temas. Todos os seus do dia-a-dia de trabalho, dona de casa e depois os temas deles. Neurose?

terça-feira, 17 de maio de 2011

A babá azul

Entrei no banheiro do clube que freqüento e me fechei num dos cubículos reservados à cada mortal que precise usar uma privada. Bem, fui fazendo o meu trabalho sem ninguém me ver, bem como deve ser. Então, comecei a ouvir uma conversa entre uma menina e sua babá na parte não reservada do banheiro, ou seja, em frente à bancada de pias.

A menina, da idade das minhas gêmeas: seis ou sete anos. Estava tirando os patins dos pés, sentada no chão. Terminada a aula de patinação, calçaria os tênis ou sapatos ali no banheiro. Talvez trocasse de roupa também. Não vem ao caso.

Me impressionou a capacidade de agressão psicológica (verbalmente desferida) pela BABÁ. Claro que nenhuma delas - menina ou babá - sequer cogitou da possibilidade de haver alguém nos espaços reservados. Pois é...havia eu. E eu ouvi como uma babá pode  tratar uma criança quando nós mães não estamos por perto. Tá bem. Eu sei. Há muitas, inclusive a sua babá, que são anjos caídos do céu, ou quase isso. Acredite. Deve haver. Mas, acredite também: ela pode se transformar na maior das bruxas na sua ausência e você sequer tomar conhecimento.
A quantidade de impropérios e a voracidade verbal daquela mulher não me fez sair para interromper tudo isso. Na verdade, permaneci quieta, pois queria ver até onde aquele horror iria. Me poupem a reprodução. Gastarei tempo e letras demais. Confiem apenas no meu julgamento de mãe como qualquer outra que sou. E olha que segundo um amiguinho do meu filho "todas as mães gritam". A coisa foi braba.

Quando achei, finalmente, que havia ouvido o suficiente para um flagrante: FUI! Abri a porta do meu cantinho reservado e apareci do nada.

Encontrei a criança sentada no chão. Tentando retirar um patins sozinha, coisa que não estava conseguindo obviamente, porque o objeto estava pesado demais para ela. Os impropérios versavam um pouco sobre isso. A babá estava em pé ao lado da criança. Quando me viu ficou roxa. Completamente azulada. A menina? Essa me disse: "olha só! Tu és amiga da minha mãe? Ela é a fulana de tal. Hoje ela foi pela primeira vez me assistir na patinação. Fiquei tão feliz! Ela trabalha tanto e sabe onde...." A babá azul, coitada. Foi gozado porque jamais eu havia visto (ouvido) alguém mudar o tom de voz e a retórica em tão curto espaço de tempo e sendo a mesma pessoa: "Ai, não sabia que havia alguém no banheiro. Sabe, a mãe dela esteve no clube hoje e viu a aulinha dela de patinação...."
Nada contra as nossas ausências, que fique bem claro. Nós mães até mesmo precisamos muito de nossos espaços, seja no trabalho, no esporte ou apenas num café com as amigas. Muitas de nós são as provedoras dos nossos lares. E, o quê fazer? Como fiscalizar? Não sei a resposta, até porque me convenci que o ser humano é capaz, sim, de transformar-se.

domingo, 8 de maio de 2011

O QUE A VIDA OFERECE A QUEM OFERECE A VIDA (Texto elaborado pelas professoras do ensino fundamental do Colégio Leonardo da Vinci, em homenagem ao dia das mães - 2011)

O Dia de Hoje é uma homenagem de nossas crianças a quem lhes deu a vida. É uma homenagem que pretende levar vocês a uma reflexão em três dimensões.
Vamos pensar sobre o tempo, a maternindade e a vida.
Nós, mães do presente, somos ao mesmo tempo diferentes, mas também parecidas com as mães de épocas passadas.
Diferentes porque, atualmente, temos mais responsabilidades que as mães do passado. Responsabilidades profissionais, financeiras e, muitas vezes, de chefes absolutas das famílias. Devemos ser versáteis e diversificadas.
Parecidas porque, como outrora, nos preocupamos em ser ótimas mães, em proporcionar proteção e conforto aos filhos, em não negligenciar nossas tarefas domésticas. E, por isso, por isso tudo, corremos. Corremos por aí justamente porque temos o coração ocupado por todos aqueles que amamos e a quem queremos proteger.
Esprememos o tempo, o fracionamos cada vez mais e prejudicamos, assim, a vida contemplativa, a vida dos pequenos e simples prazeres. O tempo fracionado, não contado mais apenas em dias, mas sim em horas, minutos e até segundos, vira uma rotina pesada. Rotina que aprisiona nossas ações, que acabam tornando-se repetitivas.
Pois hoje, as crianças vão pedir que diminuam seus ritmos, que desacelerem o ritmo intenso e que prestem mais atenção nos detalhes que a vida oferece.
Queremos, neste sábado, um dia de folga, que vocês destravem as amarras da rotina e aproveitem o momento, o presente, para apreciar e relembrar o que é significativo para cada criança aqui da escola e, por extensão, para cada uma de vocês.
Hoje os filhos vão pegar vocês pelas mãos e vão conduzi-las ao pátio para passear, para parar diante de uma árvore e descobrir os animaizinhos que habitam nela; para olhar para o céu e imaginar toda a espécie de coisas interessantes observando as configurações das nuvens; para desenhar o que enxergam.
Mães, desfrutem o tempo livre, o tempo compartilhado, o tempo generoso. E que o breve, mas intenso tempo desta homenagem se amplie para o resto do dia de hoje, para o dia de amanhã, e para todos os dias que virão, porque ser mãe é enfrentar o enigma do tempo: é mudar, sim, mas também não mudar, porque mães são eternas.
(Texto elaborado pelas professoras do ensino fundamental do Colégio Leonardo da Vinci,
em homenagem ao dia das mães - 2011).

terça-feira, 3 de maio de 2011

SORRISO DAS MAMÃES

Está chegando o grande dia. O nosso dia. Ganhamos presente dos filhotes queridos. Fazemos o almoço de domingo ou enfrentamos uma fila enorme pra entrar num restaurante chique da cidade.
Sempre temos que sorrir. Sempre.
Acontece que eu não consigo sorrir sempre. Tem vezes que minha cara fica pra lá de carrancuda. Será que sou a única mãe que fica assim? Aí me vem uma culpa enorme por causa do dia das mães. Isso só porque alguém disse (sei lá quem foi, ou se essa pessoa está com toda a razão do mundo, não vem ao caso) que MAMÃE TEM QUE SORRIR.
Ainda mais na semana que antecede o domingo do dia das mães. Já pensou?! Uma cara amarrada de uma mamãe nessa semana! Olha que ainda é terça-feira e vai dá tempo de abrir AQUELE SORRISO até chegar o domingo. Mamães leitoras: abram o sorriso!
Um sorriso sem vontade é um sorriso em preto e branco. Tá, os dentes podem ser brancos, mas o sorriso que se dá para mostrá-los tem que ser daqueles coloridos. Criança sabe quando o sorriso é preto e branco. Quando ele não é de verdade.
Pois ontem - ainda bem que recém era segunda-feira - eu nem sorriso preto e branco dei! Fiquei foi muito brava. A verdade é que sem razão.
Pediram mais uma FOTO para o o trabalhinho do colégio produzido para homenagear as mamães. Repito: MAIS UMA FOTO. Tenho três filhos e não tenho mais NENHUMA FOTO COM ELES! Nem impressas (as fotos dos álbuns já foram todas para os dias de mães e pais - lembranças impressas desfalcadas!) e digitalizadas achei apenas de anos atrás (daquelas que não valem). Daí fui bater fotos com todos e mandar para a escola. Nada demais. Já disse: não tinha razão para ficar bava. Acontece que eu fiquei. Afinal de contas não sou eu - mamãe - a homenageada e aquela que deveria sorrir colorido toda a semana por apenas IR na minha festinha de mamãe!? Quem sabe desenhar a mamãe pra variar...Nem me importo de que cor vão me pintar. Juro! Nem com o tamanho do "coração" que sairá do lápis!

Um CO-LO-RI-DO DIA DAS MÃES pra todas!!!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A PRESENÇA PURA TEM SEU PREÇO

Claro que o orelhudo não chegou antes de mim.
Eu voltei primeiro da minha "viagem de negócios".
O domingo de páscoa foi tranqüilo e luminoso. Doce, também.
Confesso que senti um certo CIÚMES do coelhudo.
Ele só precisava esconder ninhos de chocolate para garantir seu agrado. Eu não. Ao contrário: precisei recuperar a atenção dos meus filhos aos poucos.
Claro! Foi a maior farra na hora em que cheguei em casa. Mas depois vieram as bronquinhas por causa da ausência. Daí que a gente vê como é delicado recomeçar no trabalho. Uma mãe que não parou de trabalhar ao ter seus filhos, criou-os com uma certa dose de ausência. Ou seja, eles já acostumados com a mamãe trabalhando.
No meu caso, fui muito presente. Por muito tempo. Porquê? Eis um assunto para outro (s) post (s). A presença pura tem seu preço. E esse foi um certo desdém de um, resmungo na hora de dormir de alguém ou aquele machucado que não doía há dois dias transformar-se numa catástrofe com lágrimas saltitantes do outro.
Acabou que comemos muitos chocolates juntos!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

NÃO CHEGA COELHO! MOSTRA TUAS ORELHAS NAS JANELAS!

Essa semana, desde segunda-feira, precisei viajar a trabalho pela primeira vez depois de ter filhos. Um deles emudeceu e não quis falar comigo no telefone: apenas proferiu uns grunhidos monosilábicos. Os outros falaram mais ou menos direitinho. Mandei eles prestarem atenção para o coelho não chegar antes de mim. Então eles passam o tempo todo olhando pela janela para ver se as orelhas do bichano  aparecem. É pra espantá-lo, eu mandei.
Nunca, nada, nem bicho nenhum, pode chegar antes da mamãe. Ainda mais o coelho da páscoa: um símbolo de fertilidade, de ressureição, diante da sua notável capacidade de reprodução! 

Estar longe de tudo, da vida doméstica, das crianças, do marido e tal foi uma experiência reveladora. Senti muitas saudades das carinhas fofas. Meu coração se apertou algumas vezes. Compreendi uma coisa importantíssima: MÃE é tudo. Tem um valor inestimável. Coisa que "coelho cheio de chocolates" não substitui jamais. Mas, mãe também tem que poder sair, ficar ausente, ter sua existência confirmada. Ela não pode estar "SEMPRE ALI". É interessante como a logística doméstica e as crianças funcionaram sem a minha presença. É...alguns vão pensar: JÁ DÁ ATÉ PRA MORRER.
Sempre dá pra morrer. Se a mamãe se vai, haverá adaptação. Mas, haverá um trauma ao qual não queremos que passem nossos filhos. Queremos poder ir. E pretendemos voltar para as fofas carinhas e os olhos que nos desvendam como únicas.
A páscoa é época de renovação.
Estar distante ANTES desse período colocou uma nova dinâmica na minha vida e na dos meus três queridos.
A vida em família. Máe com seus filhos. Tudo isso muda. Precisa de adaptação. Precisa renascer uma nova condição. A páscoa é uma metáfora bacana pra isso: ressurgir.
Apenas o seguinte:
TE ATRASA COELHO! NÃO SURGE ANTES DA MAMÃE!

Arquivo do blog