terça-feira, 17 de maio de 2011

A babá azul

Entrei no banheiro do clube que freqüento e me fechei num dos cubículos reservados à cada mortal que precise usar uma privada. Bem, fui fazendo o meu trabalho sem ninguém me ver, bem como deve ser. Então, comecei a ouvir uma conversa entre uma menina e sua babá na parte não reservada do banheiro, ou seja, em frente à bancada de pias.

A menina, da idade das minhas gêmeas: seis ou sete anos. Estava tirando os patins dos pés, sentada no chão. Terminada a aula de patinação, calçaria os tênis ou sapatos ali no banheiro. Talvez trocasse de roupa também. Não vem ao caso.

Me impressionou a capacidade de agressão psicológica (verbalmente desferida) pela BABÁ. Claro que nenhuma delas - menina ou babá - sequer cogitou da possibilidade de haver alguém nos espaços reservados. Pois é...havia eu. E eu ouvi como uma babá pode  tratar uma criança quando nós mães não estamos por perto. Tá bem. Eu sei. Há muitas, inclusive a sua babá, que são anjos caídos do céu, ou quase isso. Acredite. Deve haver. Mas, acredite também: ela pode se transformar na maior das bruxas na sua ausência e você sequer tomar conhecimento.
A quantidade de impropérios e a voracidade verbal daquela mulher não me fez sair para interromper tudo isso. Na verdade, permaneci quieta, pois queria ver até onde aquele horror iria. Me poupem a reprodução. Gastarei tempo e letras demais. Confiem apenas no meu julgamento de mãe como qualquer outra que sou. E olha que segundo um amiguinho do meu filho "todas as mães gritam". A coisa foi braba.

Quando achei, finalmente, que havia ouvido o suficiente para um flagrante: FUI! Abri a porta do meu cantinho reservado e apareci do nada.

Encontrei a criança sentada no chão. Tentando retirar um patins sozinha, coisa que não estava conseguindo obviamente, porque o objeto estava pesado demais para ela. Os impropérios versavam um pouco sobre isso. A babá estava em pé ao lado da criança. Quando me viu ficou roxa. Completamente azulada. A menina? Essa me disse: "olha só! Tu és amiga da minha mãe? Ela é a fulana de tal. Hoje ela foi pela primeira vez me assistir na patinação. Fiquei tão feliz! Ela trabalha tanto e sabe onde...." A babá azul, coitada. Foi gozado porque jamais eu havia visto (ouvido) alguém mudar o tom de voz e a retórica em tão curto espaço de tempo e sendo a mesma pessoa: "Ai, não sabia que havia alguém no banheiro. Sabe, a mãe dela esteve no clube hoje e viu a aulinha dela de patinação...."
Nada contra as nossas ausências, que fique bem claro. Nós mães até mesmo precisamos muito de nossos espaços, seja no trabalho, no esporte ou apenas num café com as amigas. Muitas de nós são as provedoras dos nossos lares. E, o quê fazer? Como fiscalizar? Não sei a resposta, até porque me convenci que o ser humano é capaz, sim, de transformar-se.

2 comentários:

  1. Eu já presenciei casos semelhantes e fico penalizada pelas crianças e pelas mães. Solução? Fiscalização! Mandar alguém da família dar umas incertas, chegar mais cedo sem avisar!
    Tomara que essa babá ganhe o bilhete azul!
    bjs

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  2. A propósito li num jornal sobre o perfil das mulheres na Alemanha. As mais novas, nova geração, estão cada vez mais se encaminhando para a vida profissional colocando prioridade na carreira. O país esta preocupado com altos índices de população madura e faz campanha para que as mulheres tenham filhos, pois criança está se tornando artigo de luxo por lá, provavelmente pela dificuldade de conseguir harmonizar a carga de trabalho domestico com filhos.

    Já as mulheres maduras tiveram seus filhos e ficaram em casa para cuidar deles. Sabe-se que naquele país não é raro o casal entrar em acordo para saber quem vai cuidar das crianças e dos afazeres domésticos, o critério é: aquele ganha mais permanece no trabalho, e o outro cônjuge abandona o emprego para ficar em casa fazendo o que precisa ser feito.No fundo a historia é a mesma conjugar a profissão com casa e filhos é uma das tarefas mais difícil na vida das mulheres, e fica ainda pior em sociedades como a da Alemanha que não propicia mão de obra profissional na área domestica.
    Abç. Jane

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